Tem uma lista que você nunca escreveu, mas sabe de cor.
Começa com o salário que ainda falta. Depois a casa, ou o carro, ou a dívida que some. Depois a pessoa certa. Depois o corpo, a viagem, o dia em que ninguém mais vai poder te cobrar nada.
Cada linha vem com uma promessa baixinha: quando eu chegar aqui, aí eu descanso.
Você já riscou algumas. Conseguiu coisas que a sua versão de vinte anos acharia impossível. E reparou numa coisa estranha no dia seguinte: o alívio durou menos que a espera.
A lista não encolheu. Ela só empurrou o descanso pra linha seguinte.
Todo mundo conhece alguém que chegou ao topo dela. O que conseguiu tudo. E que, num jantar qualquer, taça na mão e casa quitada, disse baixinho que não sabia mais pra que estava correndo.
Você achou que era frescura de quem tem demais.
Era mapa. Ele só chegou antes de você no mesmo lugar vazio.
O problema nunca foi você não ter terminado a lista. O problema é a ordem dela.
Você colocou a única coisa que enche uma pessoa na última linha. Como prêmio pra depois. Pra quando sobrar tempo, quando as contas fecharem, quando a vida enfim der uma folga.
E a folga não vem. Ela nunca foi vir.
Foi Jesus quem disse: buscai primeiro. E primeiro, na boca dele, não era conselho. Era ordem.
Ele não pede uma vaga na sua lista. Não disputa espaço com o salário e a casa. Todo aquele vazio no topo, o que sobrava depois de cada conquista, era Ele fazendo falta.
Você tratou o Dono como item. Guardou pra última linha quem já estava ali antes de a primeira linha ser escrita.
A pergunta não é quanto falta pra você terminar a sua lista.
A pergunta é: de quem é a lista que você sempre achou que era sua?