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O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei

o herói que salvou o mundo falhando

Ninguém salvou a Terra-média com espada. Foi salvo por uma misericórdia gasta num inimigo, meses antes, sem garantia nenhuma de que valeria a pena.

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Capa de O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
Inspirado na leitura de O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, de J.R.R. Tolkien (HarperCollins Brasil)

Frodo caminha mil quilômetros carregando um anel capaz de corromper qualquer um que o use, dividido entre elfos, anões e homens que juraram protegê-lo, atravessando guerra, fome e traição, só para chegar ao único lugar onde o anel pode ser destruído e, ali, na beira do precipício de fogo, mudar de ideia. Ele não joga o anel nas chamas. Ele o reivindica para si, no exato instante em que deveria terminar a missão.

Ninguém salva a situação com espada. Quem resolve é Gollum, a criatura consumida pelo próprio anel havia séculos, mordendo o dedo de Frodo pra roubá-lo de volta e caindo com ele no fogo por acidente, comemorando a própria vitória um segundo antes de morrer.

O detalhe que a maioria esquece é que Gollum só estava vivo pra fazer isso porque, páginas atrás, Frodo teve a chance de matá-lo e não matou. Poupou a vida de uma criatura traiçoeira, perigosa, que já tinha tentado matá-lo antes, só porque algo dentro dele disse que não cabia a ele decidir quem merecia morrer. Tolkien, décadas depois de escrever isso, disse que aquele gesto de piedade, sem cálculo nenhum de retorno, foi o que decidiu o destino de todos os personagens do livro.

Ele brigava com o próprio amigo C.S. Lewis sobre chamar isso de mensagem religiosa. Recusava o rótulo. Mas a estrutura entrega o que ele nega em entrevista: o mundo não foi salvo por quem teve mais força pra carregar o peso até o fim. Foi salvo por uma misericórdia gasta num inimigo, meses antes, sem nenhuma garantia de que valeria a pena.

A pergunta não é quanto peso você ainda aguenta carregar sozinho. A pergunta é: que misericórdia você recusou gastar hoje, achando que não ia servir pra nada?

Essa reflexão nasceu da leitura de O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, de J.R.R. Tolkien. Leia o livro completo, ou acompanhe mais reflexões como essa no podcast O Discipulado, em odiscipulado.com.br.

"Que misericórdia você recusou gastar hoje, achando que não ia servir pra nada?"