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O Peregrino

o homem que saiu correndo com os dedos nos ouvidos

Um homem sai correndo de casa com os dedos enfiados nos ouvidos, gritando 'vida eterna', surdo de propósito pros apelos da própria família.

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Capa de O Peregrino
Inspirado na leitura de O Peregrino, de John Bunyan (Mundo Cristão)

Um homem sai correndo de casa com os dedos enfiados nos ouvidos, enquanto a mulher e os filhos gritam pra ele voltar.

Ele não está fugindo de perigo nenhum visível. Está fugindo de um peso que só ele sente nas costas, um peso que carregou a vida inteira sem saber nomear, até ler um livro que finalmente descreveu exatamente o que era. A partir daquele momento, ficar em casa vira insuportável e ele corre, literalmente, gritando “vida, vida, vida eterna”, surdo de propósito para os apelos da própria família.

É a cena de abertura de O Peregrino, escrito por John Bunyan numa cela de prisão inglesa, no século dezessete. O protagonista se chama, sem disfarce, Cristão. Sai da Cidade da Destruição rumo à Cidade Celestial e larga o fardo só depois de atravessar um Portão Estreito, aos pés de uma cruz. Dali em diante o caminho vira uma sequência de lugares que a língua inglesa incorporou ao vocabulário do dia a dia: o Pântano do Desânimo, onde ele quase se afoga tentando duvidar até parar de se afundar; a Feira das Vaidades, uma cidade inteira funcionando só para vender tudo que o mundo cobiça, onde seu amigo Fiel é morto por se recusar a comprar; o Castelo da Dúvida, prisão do Gigante Desespero, do qual só escapa quando lembra que carrega, o tempo todo, no bolso, uma chave chamada Promessa.

Ninguém em volta de Cristão entende a urgência dele. A família acha loucura. Os vizinhos acham exagero. E é exatamente esse o ponto que Bunyan mais acerta: o peso que você carrega é invisível para quem nunca sentiu o mesmo peso, e ninguém vai correr atrás de você pra te salvar de algo que não consegue ver.

A pergunta não é se as pessoas ao seu redor concordam que você precisa mudar de rota. A pergunta é: você vai continuar fingindo que não sente o peso só porque ninguém mais parece sentir o dele?

Essa reflexão nasceu da leitura de O Peregrino, de John Bunyan. Leia o livro completo, ou acompanhe mais reflexões como essa no podcast O Discipulado, em odiscipulado.com.br.

"Você vai continuar fingindo que não sente o peso só porque ninguém mais parece sentir o dele?"